Ditadura brasileira: o 1º de abril de 1964!

ditadura_brasileira.jpg A proposta deste espaço nunca foi falar de política e nunca será. No entanto, até mesmo para se ter uma proposta, qualquer que seja ela, é preciso liberdade. E isto foi tomado dos brasileiros há 46 anos, no dia 1º de abril de 1964.

Vez ou outra, quando falamos de poker no Brasil, esta realidade que vem sendo construída nos últimos anos, esbarramos no preconceito, na falta de informação e até mesmo na restrição das liberdades individuais.

O que temos hoje é algo muito diferente do que ocorria sob a tutela Ato Institucional nº 5 mas, algumas vezes, parece até pior, pois, num país que consagra as liberdades individuais e se diz democrático, ainda se encontra espasmos de autoritarismo que nos remetem, imediatamente, ao período da Ditadura Militar.

Naquela época quem se insurgia contra o regime ou o governo praticamente assinava sua sentença de morte. E não falamos apenas daqueles que foram à luta efetivamente mas de todos os que ousaram exprimir suas opiniões.

Não vamos tentar recontar a história do Brasil, longe disso, até porque este espaço assume sua incapacidade de discorrer, com os devidos detalhamento e isenção, a respeito de uma das fases mais conturbadas e polêmicas do nosso passado.

O ponto é que, neste mesmo dia, em 1964, os militares tomaram de assalto o país e, junto com sua ação política, alteraram definitivamente o rumo de muitas vidas, incluindo daqueles que continuaram vivos para contar a história.

Aos mais jovens isso pode parecer uma realidade distante, coisa de cinema, exagero ou até mesmo ficção mas, longe disso, foi uma verdade, umas das mais cruéis contadas, ironicamente, no dia 1º de abril.

elio_gaspari.jpgMuito foi dito a respeito e algumas obras literárias foram produzidas, como é o caso da série de 4 livros escrita pelo jornalista ítalo-brasileiro Elio Gaspari(A Ditadura Envergonhada, volume 1. Coleção As Ilusões Armadas, São Paulo: Companhia da Letras, 2002; A Ditadura Escancarada, volume 2. Coleção As Ilusões Armadas, São Paulo: Companhia da Letras, 2002; A Ditadura Derrotada, volume 3. Coleção O Sacerdote e o Feiticeiro, São Paulo: Companhia da Letras, 2003 e A Ditadura Encurralada, volume 4. Coleção O Sacerdote e o Feiticeiro, São Paulo: Companhia da Letras, 2004) e que podem ajudar a compreender melhor esse período complexo da história brasileira.

Não é o caso e nem mesmo recomendável que julguemos, 46 anos depois, sem nem mesmo ter vivido aquele período, os militares que tomaram o poder, acabaram com as liberdades dos cidadãos, fizeram da tortura "lugar comum" e, da mesma forma, não emiteremos opinião a respeito das ações da resistência armada, dos atos de terrorismo perpetrados pelos ditos "comunistas" e outras práticas, digamos, nada ortodoxas.

Isso seria imensamente cruel com os protagonistas daquela época pois muitos torturadores não tinham nem sequer uma fração do poder e os resistentes muitas vezes nem mesmo tinham consciência do que defendiam a não ser as próprias liberdades ou vidas.

Esta ressalva é a mesma feita por Sir. Winston Churchill em sua célebre obra: "Memórias da Segunda Guerra Mundial", quando fez questão de afirmar, logo no prefácio:

"(...) Ative-me à minha norma de nunca criticar nenhuma medida bélica ou política a posteriori, a menos que houvesse expressado, pública ou formalmente, em ocasião anterior, minha opinião ou advertência a seu respeito. Na verdade, em retrospectiva, abrandei muitas arestas da controvérsia contemporânea. Foi-me doloroso registrar essas discordâncias com tantos homens de quem eu gostava ou a quem respeitava; mas seria um erro não expor as lições do passado perante o futuro. Que ninguém escarneça dos homens honrados e bem-intencionados de cujos atos faço a crônica nestas páginas, sem vasculhar seu próprio coração, sem reexaminar seu próprio desempenho nas obrigações públicas e sem aplicar as lições do passado à sua conduta futura.(...)"

Porém, mesmo considerando impossível de se julgar aqueles que ajudaram a escrever as páginas mais obscuras e até mesmo vergonhosas de nosso passado como nação, não podemos deixar de repudiar toda e qualquer medida que afronte a liberdade de expressão e a autodeterminação dos chamados cidadãos.

Assim, a data de hoje, não é a celebração do início da ditadura, ou uma maneira oportunista de desvelar erros do passado ou julgar aqueles quem consideramos equivocados. Hoje, e todos os dias que se seguirem, é dia de celebrar nossas próprias liberdades como indivíduos que tomam a frente de nossa sociedade e reconhecer a importância das conquistas trazidas pela democracia brasileira.

Além disso, nunca é demais, neste contexto, repudiar todas as medidas que venham reprimir atividades legítimas, legais e saudáveis como é o caso do poker, principalmente após atingir, em pouquíssimo tempo, o nível de organização observado no Brasil.

Que neste "dia da mentira" possamos dizer nossas verdades e nos orgulhar desse direito, mesmo sem saber se aquilo que consideramos verdadeiro seja aceitável universalmente como um axioma.

O Poker Brasileiro deseja a todos que cultivemos nossas liberdades de forma responsável, ativamente e que toda e qualquer forma de repressão a esse direito fique bem guardada, num passado cada vez mais distante.

Aos que quiserem conhecer um pouco mais do período ditatorial, confiram abaixo a reprodução da série "Contos da Resistência", documentário co-produzido pela TV Câmara:

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