Adapte-se à mesa

table_adapt.jpg Revista Cardplayer - Volume 20 - Número 13
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Em toda a minha carreira no poker, percebi que os mais bem-sucedidos jogadores se enquadram em duas categorias. Uma delas se refere ao jogador que sempre tenta ser o "dono da mesa". Tal jogador constantemente se dedica a forçar com que cada um dos oponentes submeta-se ao seu jogo ou sofra as consequências. Tipicamente este é um jogador agressivo que gosta de ver os outros jogadores serem obrigados a jogar seu jogo com ele. Percebo que isso pode soar um tanto quanto negativo, mas na verdade não é. Alguns dos melhores jogadores que já conheci jogam como "donos da mesa". Eles normalmente têm presença na mesa, ganham respeito e conquistam resultados.

Existe outra categoria que engloba jogadores de sucesso, e essa é mais a minha cara. Esse modelo não é melhor ou pior que o primeiro, apenas diferente no estilo. Tais jogadores deixam que a situação da mesa dite o seu comportamento, ao invés de forçar os outros a se curvarem sob seu ímpeto. Tal estilo basicamente envolve conhecer os jogadores da mesa e adaptar o seu jogo para encaixá-lo nas situações que se apresentam.

Por exemplo, se você está numa mesa em que todos são extremamente agressivos, você deve simplesmente esperar as melhores oportunidades para explorá-los, sabendo que a excessiva agressividade vai lhe pagar bem quando eles tentarem usá-la contra você. Por outro lado, se a mesa é muito passiva, você pode ser quem comanda ação e se apresentar como o "dono da mesa".

Todo jogador é diferente e possui um estilo que funciona melhor pra ele. Uma das minhas maiores virtudes é reconhecer situações diferentes em cada mesa e, rapidamente, me adaptar a elas para levar vantagem sobre os oponentes que estou enfrentando. Com isso em mente, gostaria de discutir algumas situações que enfrentei quando estava jogando uma etapa do Circuito WSOP, em New Orleans.

Escolhi o exemplo do torneio de New Orleans porque foi algo único, com vários extremos sentados na minha mesa. Eu estava no assento nº 6, no início do torneio, e havia uma mulher no assento nº 5, à minha direita, que deveria ser um jogadora de nível intermediário. Ela tinha boas noções básicas mas um padrão que notei imediatamente foi o fato de que ela sempre apostava quando você demonstrava qualquer fraqueza, ainda que a ação antes do flop pudesse indicar que você poderia ter um monstro.

Os jogadores dos assentos nºs 2, 3 e 4 tinham estilos bem parecidos; todos relativamente "tight-aggressives" e capazes de grandes jogadas ocasionalmente, mas geralmente apostavam e aumentavam por valor e abandonavam a mão quando não acertavam nada.Isso nos leva aos assentos nº 1 e 10. Tais jogadores eram bem únicos pelo fato de que constantemente realizavam apostas monstruosas no pote com mãos medíocres. Vi várias vezes apostarem 3 ou 4 vezes o valor do pote no flop com "top pair" e um "kicker" ruim.

Os jogadores dos assentos nº 7, 8 e 9 eram senhores que jogavam de forma fraca e passiva. Eles pagavam muitas apostas antes do flop e, geralmente pagavam também depois do flop se tinham algo ou abandonavam a mão caso não acertassem nada. Raramente demonstravam agressividade a não ser que tivesse mãos muito fortes.

Então, como adaptar o meu jogo à esta mesa? As melhores tacadas para mim seriam contra os jogadores dos assentos nº 1 e 10. As apostas absurdas no flop que praticavam significariam que se eu pudesse ver muitos flops com eles eu teria que acertar uma boa mão para garantir um pote enorme. Então, eu tentei aproveitar a oportunidade de me envolver com tais jogadores, sempre que tivesse cartas que me garantissem boas chances de acertar o flop, de forma barata. Eu não queria pagar muito para ver flops com tais jogadores mas, sabendo dos potenciais ganhos que eles representavam depois do flop, eu estava pagando com mãos com as quais eu não pagaria outros oponentes, como 6-5off e até 10-7off, pois eu sabia que eu precisava acertar apenas uma mão para dobrar minhas fichas.

Contra os jogadores dos assentos nº 2, 3 e 4 eu jogava com muita cautela. Sabia que por serem "tight-aggressive" eles jogariam agressivamente boas mãos, cuidadosamente selecionadas para se envolverem jogando dessa forma. Tentei ficar longe deles desde que os jogadores dos assentos nº 1 e 10 também não estivessem envolvidos no pote. O assento nº 5 era ocupado pela jogadora contra a qual era melhor apostar quando eu errava o flop e pedir mesa quando acertasse já que ela consistentemente apostava quando sentia fraqueza. Contra os jogadores dos assentos nº 7 e 9 eu geralmente tentava roubar seus "blinds" nas vezes em que todos abandonavam até a ação chegar em mim e eu poderia poderia isolá-los.

Assim, como podem ver, eu agia de várias maneiras nesta mesa. Quando eu pudesse isolar os jogadores dos lugares nº 7 e 9 eu me comportava como o "dono da mesa". Contra aqueles que o ocupavam os assentos nº 1 e 10 eu agia como um jogador fraco e passivo apenas esperando acertar algum jogo. Contra aqueles dos assentos nº 2 e 4 eu jogava de forma sólida e agressiva e geralmente evitava grandes confrontos, e jogava escondendo minha força e também blefando contra o jogador do lugar nº 5.

Infelizmente, não tive grandes resultados em New Orleans, mas a situação na mesa era algo único e pensei que pudesse dividir minhas impressões e a maneira como adaptei meu jogo àquela situação. Enquanto escrevo isso estou prestes a estreiar na WSOP, e espero ver muitos de vocês em Las Vegas neste ano. É realmente uma experiência única e desejo toda a sorte do mundo a todos vocês.

Eric "Rizen" Lynch

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